{"id":1652,"date":"2018-09-20T10:50:04","date_gmt":"2018-09-20T13:50:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/?p=1652"},"modified":"2018-09-20T11:11:22","modified_gmt":"2018-09-20T14:11:22","slug":"correlacao-e-concordancia-na-estatistica-medica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/correlacao-e-concordancia-na-estatistica-medica\/","title":{"rendered":"Correla\u00e7\u00e3o e concord\u00e2ncia na estat\u00edstica m\u00e9dica"},"content":{"rendered":"<p>Um problema comum em medicina \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de dados, por exemplo, sobre o volume card\u00edaco ou a press\u00e3o arterial, em que a medi\u00e7\u00e3o direta, sem efeitos adversos, \u00e9 dif\u00edcil ou imposs\u00edvel. Os verdadeiros valores permanecem desconhecidos. Em vez disso, m\u00e9todos indiretos s\u00e3o usados, e um novo m\u00e9todo deve ser avaliado por compara\u00e7\u00e3o com uma t\u00e9cnica estabelecida e n\u00e3o com a quantidade verdadeira. Se o novo m\u00e9todo concordar suficientemente bem com o antigo, o antigo pode ser substitu\u00eddo. Isso \u00e9 muito diferente da calibra\u00e7\u00e3o, em que quantidades conhecidas s\u00e3o medidas por um novo m\u00e9todo e o resultado \u00e9 comparado com o valor real ou com medi\u00e7\u00f5es feitas por um m\u00e9todo altamente preciso. Quando dois m\u00e9todos s\u00e3o comparados, nenhum dos dois fornece uma medi\u00e7\u00e3o inequivocamente correta, ent\u00e3o tentamos avaliar o grau de concord\u00e2ncia. Mas como? (Bland e Altman, 1986)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>A partir de 1983, J.M. Bland e D.G. Altman publicaram alguns artigos em que criticavam o coeficiente de correla\u00e7\u00e3o, crit\u00e9rio aplicado at\u00e9 ent\u00e3o, para a avalia\u00e7\u00e3o do grau de concord\u00e2ncia. No artigo de 1986, Bland e Altman apresentam uma s\u00e9rie de problemas que a utiliza\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o acarreta neste tipo de an\u00e1lise, entre os quais os mais importantes s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n<ol>\n<li>Quando se calcula, por exemplo, a correla\u00e7\u00e3o entre duas amostras em que os valores de uma s\u00e3o iguais ao dobro dos da outra, a correla\u00e7\u00e3o \u00e9 igual a 1,0 (100%), mas as duas amostras n\u00e3o t\u00eam, obviamente, boa concord\u00e2ncia.<\/li>\n<li>Amostras maiores tendem a apresentar correla\u00e7\u00f5es maiores. Segundo os autores, \u201ccomo os pesquisadores geralmente tentam comparar dois m\u00e9todos em toda a gama de valores normalmente encontrados, uma alta correla\u00e7\u00e3o \u00e9 quase garantida\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>No lugar da correla\u00e7\u00e3o, os autores prop\u00f5em um m\u00e9todo, chamado atualmente de Bland-Altman, para a an\u00e1lise da converg\u00eancia. O presente artigo se concentra em parte fundamental deste crit\u00e9rio, a an\u00e1lise gr\u00e1fica inicial, que consiste em plotar as observa\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas dos dois m\u00e9todos que se quer estudar nos eixos x e y, juntamente com a curva em 45\u00b0 na qual y=x. A figura abaixo, que compara dois m\u00e9todos (<em>large meter<\/em> e <em>mini meter<\/em>) de medi\u00e7\u00e3o do pico de fluxo expirat\u00f3rio (<em>PEFR<\/em>), obtida a partir dos dados apresentados no artigo de 1986 de Bland e Altman, mostra como esta an\u00e1lise gr\u00e1fica inicial do m\u00e9todo funciona.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1654\" src=\"http:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"463\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura1-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura1-370x222.jpg 370w, https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura1-360x216.jpg 360w, https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura1.jpg 481w\" sizes=\"auto, (max-width: 463px) 100vw, 463px\" \/><br \/>\nA figura acima mostra que as medi\u00e7\u00f5es pelos dois m\u00e9todos s\u00e3o pr\u00f3ximas, e ocupam as regi\u00f5es acima e abaixo da curva a 45\u00b0, mostrando a boa concord\u00e2ncia entre eles. O coeficiente de correla\u00e7\u00e3o entre as duas vari\u00e1veis resultou em 0,943.<\/p>\n<p>Uma pequena manipula\u00e7\u00e3o dos dados mostra um problema em se utilizar o coeficiente de correla\u00e7\u00e3o para a an\u00e1lise de concord\u00e2ncia: para o presente artigo, multiplicaram-se os valores da amostra do eixo y (<em>PEFR<\/em> pelo m\u00e9todo <em>mini meter<\/em>) por 0,8, e os resultados s\u00e3o apresentados na figura abaixo:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1655\" src=\"http:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura2-370x222.jpg 370w, https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura2-360x216.jpg 360w, https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/figura2.jpg 481w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/p>\n<p>Nesta segunda figura fica clara distor\u00e7\u00e3o entre os m\u00e9todos de medi\u00e7\u00e3o do pico de fluxo expirat\u00f3rio analisados, com a grande maioria dos pontos ocupando a regi\u00e3o inferior da curva a 45\u00b0, onde y=x. Por outro lado, o coeficiente de correla\u00e7\u00e3o entre estas novas vari\u00e1veis \u00e9 o mesmo das vari\u00e1veis originais, mostrando que a utiliza\u00e7\u00e3o desta estat\u00edstica pode causar erros de interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um artigo de Hirata e Camey (2009)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[2]<\/a> apresenta outros exemplos interessantes de an\u00e1lise de concord\u00e2ncia segundo Bland e Altman, e tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o dos artigos originais destes dois autores.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Bland JM, Altman D. Statistical methods for as-sessing agreement between two methods of clinical measurement. Lancet. 1986;327(8476):307-10.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[2]<\/a> Hirata, V.N., Camey, S. Z. <em>An\u00e1lise de concord\u00e2ncia entre m\u00e9todos de Bland-Altman. <\/em>Rev HCPA 2009;29(3):261-26. <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/28980\">https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/28980<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um problema comum em medicina \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de dados, por exemplo, sobre o volume card\u00edaco ou a press\u00e3o arterial, em que a medi\u00e7\u00e3o direta, sem efeitos adversos, \u00e9 dif\u00edcil [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1664,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-1652","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estatistica-aplicada","cat-47-id","has_thumb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1652"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1652\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1669,"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1652\/revisions\/1669"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.fabriciomuller.com.br\/engenharia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}